quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Carta à uma aniversariante ausente.



Eu me lembro como se fosse ontem da gente com os pés na areia , aos seis anos brincando de pique correndo sem camisa, fazendo bolinhas de sabão em canudo de refresco . Naquela época era tudo mais colorido ,tudo era mais fácil , hoje as coisas tem ganhado um ar meio cinza e nós duas virando 'gente' . Eu recordo de ter te dito que a cor cinza me agradava , que eu gostava da tonalidade , que essa cor lembrava de como a tristeza engolia o mar e fazia com que o horizonte se perdesse. A gente gostava de se perder e encontrar outros caminhos lembra ?. Hoje eu acho que de todas as cores eu prefiro o preto, a ausência completa de cor


Mais de uma vez nós partilhamos uma mesma insegurança, e antes a insegurança tinha a ver com não fazer a lição , com que cor de giz a gente riscaria a amarelinha pra pular antes das dez, que era nosso 'toque de recolher' pra aula do dia seguinte .

Queria que soubesses que minha vontade de te ter perto ainda é a mesma, de falar sobre coisas relevantes,insignificantes, de contemplar ao redor, de sentir cheiros, de olhar para baixo e ver sempre o meu pé ou o chão ou o seu pé encima do meu quando a gente brincava de ''pisão'', de fazer barquinho com a língua, de fazer bolhinhas de saliva, de olhar pro teto, de procurar estrelas, de ser perseguida por espelhos

Não , não pense que eu desisti daquele nosso plano de ser ''forever young'' , nós sempre seremos excepcionais, magnânimas, gigantes. Independentemente de crescermos ou não mais alguns centímetros, se vamos engordar, emagrecer, ser bailarina profissional, ou advogada , veterinária, se vamos saber cozinhar, se seremos muito inteligentes ou burras demais, se a gente aprender a voar, se resolvermos nos jogar da janela, se ficarmos horas estáticas , se seremos poliglotas.

Não importa minha irmã, o que é 'do homem o bicho não come' , vovó sempre nos dizia e você sabe.O caso é , eu não vou te largar de mão.

E por mais que as coisas tenham mudado conforme fomos crescendo eu não me sinto impedida de te amar sem limites. E que saudade filha da puta que me dá de te levar comigo pra onde quer que eu vá , de comer bobagens às seis da manhã , de sair sem ter hora pra voltar, ou até mesmo de nunca sair e só ficar no marasmo , de querer sempre ficar. De ter todas as sensações, sempre, o tempo inteiro. De tentar entender.


E hoje você completa mais um ano de vida , quero que tome nota de que por dentro a gente sempre vai ser assim , até os nossos oitenta e poucos anos.Nossa essência estará ali intacta, a gente vai rir da lembrança daquelas duas garotas que brigavam por qualquer coisa , que se afastavam e que se grudavam em seguida ,por não saber lhe dar com a ausência uma da outra .As amizades de infância são as melhores e são pra sempre. Sabendo ou não cortar bolo ou pedir pizza.

Eu te amo, isso basta e excede qualquer explicação.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

6:32h am

Todos temos problemas.
Somos doentes.
Vivemos numa sociedade doente.
Onde só não vale fazer de seu problema exceção.
É preciso olhar ao redor e encontrar os semelhantes.
Aqueles cujos problemas combinam com os seus.
E em cada fase de sua vida, mudam os problemas.
Vive melhor quem melhor lida com eles.
Por vezes, me sinto só com os meus.

Engano.

Numa tentativa de me fazer especial.
Seria fácil se não fosse doloroso.
Sobressair pelo desgosto.
Mas, logo percebo que somos todos doentes
e de louco todos temos um pouco.
Volto ao mesmo lugar que você, você e você.
E enquanto busco pontuar as diferenças
percebo as semelhanças problemáticas entre nós.
Isso não me traz alívio nem angustia.
Apatia não seria a melhor palavra para designar.
Mas é quase isso.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

D-E-R-R-A-M-A-N-D-O


E então transbordo, eu que já nem lembrava mais como era isso.
É assim que estou : à flor da pele,como se algo que me impedisse de sentir,
tivesse se dissolvido, como se eu não soubesse mais me proteger.

E se me perguntam o que foi, não dá pra dar uma resposta exata,
já que são tantas coisas , e tão sentidas, que nem sei.

E ando assim, tão delicada, que tenho medo de explicar.

É que nunca choro, mas agora dôo inteira.

Todo o meu peito sente.

E aceito.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Comprando asas.





Estou subornando os dias, você pode perceber ? Ando pagando qualquer preço pra deixar que as coisas se desenrolem.Tô comprando asas para as horas rapaz, para que elas voem logo e deixem de se arrastar.As paredes do quarto viraram céu, o meu pijama um uniforme, minha cama um lar. Estou consumindo cigarros demais ,consumindo cafés sem açúcar algum, consumindo o tédio antes dele me devorar.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

They got the guns but, we got the numbers.

 


Engula suas paráfrases, deixe as piadas de lado,
meça as falhas metódicas de humor, rasgue os dedos,
retire com uma faca, a língua, os anéis, as orelhas e os joelhos, impeça a comunicação.

Lave o rosto, com calma, cuspa na cara , do espelho, tenha algum ódio, chega de dó.

Escorra, entre os cabos, pelos cantos, se ataque,
raspe os cabelos, cuspa os pentelhos,cante melhor,
as paixões perdidas, nas letras esquecidas, aquecidas apenas pelos tons.

Pegue as cartas em cima da cama, sem revelar o seu nome, feche os olhos,
leia com a alma, respire sem pressa, não exagere na interpretação.

Para não parecer pior, entenda querido , o amor é nômade.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Intoxicação sentimental alimentar.






Quando sonho sempre me vem um gosto. 
Não de amor, menta ou saudade. 
Sabor acre, enjôo, dor pungente de estômago vazio, 
não me alimento das lembranças, não me satisfaço mais de você.

Quando muito, uma ninharia agridoce de rancor me ataca, 
o amargo se torna forte, o melífluo não chega a lugar algum.

Como se fosse fruta verde, a língua reconhece, distingue, 
arrebata no apertar da boca, o ranger dos dentes, 
travamento completo da mandíbula, endurecimento do coração.

Quando sonho com você não há lugar para o surreal, 
não possuo asas, borboletas não se transformam em dragão. 
Apenas a realidade dominando o onírico, eu de um lado, 
você do outro, quando queremos muito mudamos de calçada
é pedida a permissão, sem o atrevimento da palavra 
a própria presença estabelece o cumprimento, determina a distância.

Na fabricação do litígio entre estranhos conhecidos, 
o olhar preso por três segundos é intimidade desnecessária, 
proximidade a ser ignorada.

Quando sonho com você desenvolvo ânsias precárias, refluxos eufóricos, 
vomito as palavras-resíduos que me forçou a engolir. 

sábado, 3 de julho de 2010

Apenas me deixe monologar informalmente.



Não sei moço, mas prefiro ficar.
Acho que sou louca demais pra viver em um lugar onde a correria seja acima da daqui.
Não sei não moço, mas quero paz, não como Los Hermanos cantou,
mas quero do meu jeito, paz com outro conceito.
Um emprego basta, não quero mais dois, preciso de tardes lentas pra eu voltar a escrever.
E essa faculdade tolerei por dois anos, mais alguns acho que nem faz mal.
Não sei moço, mas talvez minha cabeça só funcione aqui.
Não quero todas as festas prometidas na antiga capital,
quero ser monótona, quero amar de modo unilateral .
Mas diz aí, me ajuda. Me explica, isso é insanidade ou mudança?

Não, nem me fale em mudar.
Não quero, está decidido.Eu preciso parar.
Quietar num sossego que nunca em mim realmente existiu.
É velhice? Crendice de terceira idade mental? Não sei rapaz.
Apenas sinto que já não penso mais em partir.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Tombo.

O amor.
Me enche.
Igual bexiga de gás.
Faz levitar.
Guiar solta no ar.
Deixo-me levar.

Levanto cedo, ganho energia.
Beijos, abraços, promessas.
Anseio melhoras.
Vejo as cores do mundo.
Sinto muito, tudo.
Me faz prazer.
Renova-me.
As vontades.
As vantagens de ter com quem
compartilhar meu dia a dia.

Mas, em contra partida, se ele acaba me mata.
Me faz ficar de cama.
Cheia de angústias e culpas.
E desejos de te ver por mais uns dias.
E vontade de sentir de novo a
novidade que só o amor nos dá.
Deu.
É passado. Onde finjo não perceber.
Faço-me de boba. Tonta, de trouxa.
Me deixo usar.
Porque mesmo se você voltar
e dormir aqui ao meu lado.
Mesmo que fique por um dia inteiro
só para me consolar.
E faça meu almoço, colo, carinho e desculpas.
De nada adiantará. Mesmo assim eu finjo.
De propósito, dôo.
Toda angústia assim
passa a ser maior que nós.
Corroi-me por dentro.
Me come.
Faz um estrago maior.
Maior que o amor que um dia achamos
que sentimos um pelo outro.
Maior que suas mentiras.
Maior que nossos sonhos.
Que terminam em pequenas doses de desaforos.

A angústia.
Me transborda.
Igual bexiga de gás.
Faz levitar.
Solta no ar.
E lá em cima, no alto, estoura.







sexta-feira, 4 de junho de 2010

O ar tinha gosto de sábado.


O silêncio não sufoca

Na verdade te esnoba
E você odeia ser ignorada,eu sei.
Muda sem parar de estação
e me deixa confusa.

Eu juro

Se for pra se sentir feliz
Eu sussurro
Professo odes
Cânticos judaicos
Em seu ouvido
Nesse quarto

É só pedir
Vai
Diz

Deixe pra lá essa áurea de chata atriz.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Ses paroles reflètent sur moi.

São suas palavras refletidas em mim,pairando doces ao pé do ouvido:


''E mesmo que eu saia completamente acabado disso tudo,
já és parte de mim
és uma grande parte de mim.
Sentir que vou te perder
é como se estivessem me tirando o meu melhor
Nao minha pequena, não quero te fazer triste
quero que fiques feliz,
quero cuidar de ti todos os dias da minha vida.
Quero dizer que tudo que eu passo
nao faz sentido se nao tiver algo de ti,
e que se um dia te perderes de mim,
eu te procuro até te encontrares em mim de novo

Não, eu nao quero te frustar,
mas quero que sejas completamente minha
sim,sou egoísta a esse ponto.
Não vou te frustrar,
quero que sempres te encontres em mim
não existe algo que eu ame mais,acredite
não existe.


Não existe ninguém por quem eu me renunciaria,
nem ninguem que eu queira cuidar e completar o meu tempo,
mesmo que não sejam tempos vagos.
Acredite, não existe mais ninguem
que eu queira encaixar minha alma



Prefiro até perder tudo,
posso ate mudar de profissão
mas nao abro mão da idéia de te ter
não vou mudar de idéia,
não posso te perder.''

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Maré baixa transborda um corpo meio vazio.

Olhos iguais ao horizonte do mar, 
rasos d’água salgada.
Ríspido respinga a lágrima.
E o sol, sal seca. 
Transformando tudo em livros de areia.
Em palavrinhas ao vento.
A solidão experimentada 
pela primeira vez aos vinte e oito*.
Antes evitada.
Evitando a si mesma.
Porque foi mais fácil viver assim.
Enchendo-se de nada e ninguéns.
Momentaneamente, 
ele não lhe serve, 
nem lhe faz muita falta.
Não correria este risco.
Escolheu seus vazios a dedo.
Tocando as texturas 
do que hoje é nada.
Pêlos.
Restaram coisinhas tolas.
Ela não se reconhece.
Mas procura a conexão em banda larga.
Porém, nada mais a toca. Não há som algum.
Em cada esquina padrão.
Transita.
Querências.
Nos cinemas 
que prefere ir bem desacompanhada.
Sabe que uma mulher como ela 
não pode viver só de pão de queijo.
Nem da cerveja sem jantar, 
seguida de oito cafezinhos 
puros com adoçante.
Cinco gotas. 
Um mojito para viagem.
Bem maquiada pra não desmaiar e 
sorrindo porque alertaram, 
esta é sua vingança.
Tem facilidade para verbalizar os sentidos.
Dificuldades para respirar.
Portando, trava-se aí a primeira batalha.
Falar e respirar. Respirar e falar.
Contra também a ansiedade. 
Acelerada por nada.
Faz restar o nada, 
as dúvidas e por que a pressa?
Achava que não tinha problemas com rejeição.
Este sentimento de todos, qualquer um.
Mas tem! 
Sentiu envergonhadamente. 
Percebeu dias atrás. 
Que ama sucrilhos com leite, 
danoninho e toddynho.
Pequenos prazeres.
Tem a estranha mania de falar tudo no diminutivo.
Diminuindo coisas grandes. Inclusive emoções.
Deixando tudo do seu tamanhinho.
Ao seu alcance.
Na altura de suas mãos, 
na largura de seus passos atrasados.
Tem se perguntado, onde estava que 
não ouviu aquela música na adolescência?
O que lia que não aquele livro?
Por onde andava que não naquela rua?
Tem se enchido de dúvidas 
e telefonemas mudos.
De mensagens que vão 
e não precisam de respostas.
Que se perdem como ela.
Tem se lotado de informações 
que geram ainda mais dúvidas.
Para que servem?
Tem querido ser querida, 
mas sem querer, querer ninguém.
Vale?
Olhar o horizonte do mar.
Lembrar da canção de ninar 
que mamãe cantava para ela.
Do um pequenino grão de areia, 
sonhador que se apaixona por uma 
estrela e vive uma história de amor.
Acha lindo. 
Desacredita.
Faz os olhos transbordarem.
Do sol, saldo vazio, da ansiedade de ninguéns. 
Algumas dúvidas apressadas, 
dos poucos pequenos prazeres no diminutivo, 
um livro de areia de palavrinhas ao vento, 
do grão um sonho ou pesadelo. 
Toda história de amor tem final feliz?
Então não era amor.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Un Toast.

Um 'Salve à nossa amizade, ao doce, o amargo, o azedo da vida. É verdade, estou ajoelhada no milho,mas ainda assim agradeço. Pagando penitência por uma surpresa inesquecível. Sabe Brê?, daquelas que você não se arrepende de ter vivido, mas quem pode dizer se eu teria vivido melhor? Não se pode prever perdas e danos e nem vale a pena calcular o depois. “Não adianta chorar sobre o leite derramado” são águas que rolam,e isto eu pude perceber. Sou mesmo o contrário de muitas que já vi, “que olha e não vê”, você que diz nunca ter sido amado. Racionalmente não calculei o que seria melhor para mim,isso e outras coisas mais temos em comum ,caro amigo. Me entreguei, como ainda estou, percebe? à uma realidade que me fez mal. Desenhando peixinhos e escrevendo sobre ela. Ela, a vida, dor ,amor com rima pobre ,pecado da maçã. Fruto de alguma piada divina, algum anseio e o sentimento (ou ilusão energética tardia) de realidade. Isso! Creio que estamos em busca da realidade- Lato Sensu . Vamos vivendo nossa ilusão particular.



segunda-feira, 10 de maio de 2010

Um beijo e até mais tarde.





Quero te deixar livre.
Quero você sem obrigações comigo.
Te quero pró prazer.
Deve ir sem dar satisfação.
Não quero te preocupar.
Quero que vá, que parta.
Que me despedace.
Deixe-me cá onde estou.
Onde sempre estive.
Da onde nunca fugi.
Quero que saibas que sobrevivo.
E você também.
Peço apenas que caminhe em sua direção.
Que me deixe aqui sem sentido.
Que tome seu rumo.
Seu drink.
Encontre-se.
Assemelhe-se.
E me deixe. Só.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Bilhetes e garranchos.









Benzinho, o tempo é uma corda que se enrola no pescoço 
e vai apertando de mansinho ano após ano, 
até que em um segundo indefinido 
ela te despenca da cadeira da sobriedade, 
onde sempre estamos, em uma duvida, 
um vai e vem frenético, 
sem ao menos saber que estamos lá.
O tempo é a doçura inerte dos nossos passos de valsa, 
calando as bocas sujas, e beijando-as 
logo após um acerto de contas... 
Na cama todos somos juízes de nós mesmos, 
julgando cores sensações, 
abraços, gotas, suor, conversas, intuições.
Somos podres por natureza, 
pontos fracos de nós mesmos, 
somos luz em meio ao nosso breu-cotidiano, 
diante de toda lucidez, 
o álcool move toda a filosofia e em meio a ela, 
ele se embebeda de idéias causando espasmos, 
causando frenesi, latência, loucura...
Benzinho, eu acordei suado, 
com idéias pairando perto do ventilador, 
como aviões de papel que sugerem planos de dominar o mundo, 
por mais estranho que pareça, eu os aceito. 
Te tenho em mente boa parte do tempo, 
e o tempo que me resta escrevo 
sobre o tempo que estive em ti.
Hoje eu acordei sem sono, como se tudo tivesse ido embora, 
um bilhete, um garrancho, uma poesia, 
um sonho de viver em meio ao caos. 
Me engano como um físico embriagado, 
nos seus cálculos sonolentos. 
Ele calcula o amor, em centímetros de mercúrio, 
enquanto o amor na sua medida infinita 
tem o dom de não ter medidas. 
Vou embora, deixo o conteúdo do bilhete 
para sua doce imaginação calcular, 
o garrancho, você acabara de ler.
Garrancho de um blues, de um som.
Se é que é possível mudar toda a sinestesia, 
som em cores, em sabores que ardem no olho, 
que te tocam com um cheiro próprio o sexto sentido, 
em um frio que nobremente saboroso... Arrepia.



* Texto de um amigo muito querido , 
não hesitei em colocar aqui .Sem egoísmo.
Afinal coisa boa tem mais do que a obrigação de ser compartilhada . 
Mérito do Estevam Pontes .

terça-feira, 27 de abril de 2010

Sonho.




Te contei?
Que sonhei com você.
Que te encontrava na rua.
Assim, do nada, no meio de todos.
E parava.
E olhava.
E sorria.
Retribuía aos olhos teus.
Enquanto os outros me diziam que era um absurdo.
Que jamais deveria eu conversar de novo contigo.
Nem dar-lhe ouvidos.
Que deverias pagar por todo mal que nos fez passar.
Te contei?
Que foi um pesadelo.
Desses que depois a gente se pergunta
será que foi verdade?
Pegava-te pelo braço, como fazia de habito.
Te encarava sem medo.
E perguntava algo sobre sua felicidade.
Você me respondia com um gesto sincero.
Eu disfarçava.
A gente se abraçava.
Assim, como se não houvesse mais rancor entre nós.
Como se não houvesse mais espaço
para este tipo de sentimento.
Ou tivéssemos nos curado.
Com o tempo.
E que naquele momento
só desejássemos coisas boas um ao outro.
Te contei?
Que no meu sonho você me parecia
melhor do que realmente é.

sábado, 17 de abril de 2010

Abala-me



 Você
O Haiti.
Os políticos.
As histórias que vejo na Tv.
A chuva castigando a cidade.
A falta de compreensão entre nós.
Falta de afeto.
Meu tanto faz.
Nosso faz de conta.
As contas.
1/3
Folha de São Paulo.
Sapatos que machucam meus pés.
Fome.
A reforma .
Os filmes.
As pessoas que moram na nossa rua.
Saudade da minha família.
As vantagens de estar onde estou.
O peso.
Minha escrivaninha.
O vinho tinto.
A droga da gaveta.
O tempo e a falta que ele me provoca.
O amor.
Diálogos entre pais e filhos.
Um domingo qualquer no parque.
Silêncio.
As garrafas pet boiando no rio.
Planos.
Impaciência
As cobranças de todos.
As poucas horas de sono.
Sexo.
Música nova.
Pernilongo.
Arte.
Imagem.
Trânsito.
O sol fazendo-me sardas.
Desfarces.
Quando me calo.
Quando não fala.
Preguiça de viver o que é previsível.
Nenhuma vontade.
1001 oportunidades.
Seu mundo.
O teatro das boas maneiras.
Facilidades.
As eternas conversas comigo mesma.
Descontos para os outros.
Curiosidade.
Livros intactos na estante.
Os excessos.
Sofro com eles.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Disposição ao engano.




Para caminhar ao seu lado foi preciso aprender outro ritmo.
Suas pernas muito maiores,ensinaram a correr.
Dificil,apesar do alegre compasso.
Mais alto,mais largo.
Prazeroso amor,quase delinquencia.Aconteceu assim,sem querer.
Num domingo,descendo a rua.
Que idéia foi aquela que funcionou?
Era outono,e o vento no rosto enxugou as lágrimas.
Abriram seus olhos.Libertos.
Para acompanhá-lo.

Desde então,teve que fazer os olhos,
preguiçosos que eram,percorrerem mapas de geografia
Matéria ignorada por ela desde o início de vida escolar.
Olhos estes jamais navegados pelos caminhos por onde andou
Não se assustou,nem deslumbrou, 
e por vezes,reunidos,achou chato.
Um porre.Um saco.
Mas calou.

Seus olhos sempre estiveram por demais ocupados com detalhes.
Desde os oito,os olhos dela eram viciados em estantes alheias.
Adoravam as da pequena biblioteca do colégio em que estudava.
Percorria-as através de suas cores,
até o lugar mais alto que podia enxergar.
De óculos escolhia,apontando para o alto.
Pequena e dona de grandes dores de cabeça,
recomendaram-lhe óculos para descanso.Puro engano.
Jamais descansou com eles.
Esta parceria não levava à regalias.

Literatura ou filosofia.
Na era dos óculos, ela se desafiava o tempo inteiro.Virou hábito.
Começava escolhendo sempre o livro mais difícil de alcançar.
De ler,folhear.Sem preguiça.
Esqueceu dos clássicos.Ignorou ''Polyana'',
mas ''O Bichinho da maçã'' lhe fora inesquecível.
Por isso não houve à eles,os óculos,falta de lazer.
Nem à ela.Nem aos óculos.Nem viagens.
Muito menos histórias para contar.
Mas como explicar estas diferenças de olhar entre eles?

Ela e ele.Ou o que fazer com elas,as diferenças?
Somar?Multiplicar?Sonhar?
Seriam possíveis,eles,tão diferentes no modo de ver
chegarem à um acordo?

A impressão que fica,é que ela sempre esteve aqui.
Sem sair do lugar,aguardando ele chegar.
Para contar-lhe com detalhes o mundo do lado de lá.
Enquanto mantem sem disfarces 
os olhos fixos na estante mais próxima.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Vide o Verso!

Somos do avesso.
E mesmo assim te faço um verso contrário.
Para dizer-te que lhe amo dos pés à cabeça,
do nosso fim ao começo.
Inverto.
Invento.
Um universo nosso.
Em que todos os certos estão do lado errado.
E nós, os avessos é que estamos certos.




terça-feira, 2 de março de 2010

Reação em Cadeia.

Diversas vezes tenho vontade de jogar do alto do prédio,
do quinto andar, tudo aquilo que nos restou.

Nada.


Diversas vezes tenho vontade de falar às pessoas

tudo o que eu penso delas,
de dizer na cara as verdades enxergadas, as mentiras lavadas.

Palavras.


Diversas noites tenho vontade de vomitar o jantar,

de gritar, de chorar, de abraçar alguém bem forte,

de colo, de útero, de mãe.
Desabafos.


Diversas vezes tenho nojo do Pronto- Socorro,

quero me lavar, me despir dos problemas,

me anular por algumas horas.

Fuga.


Diversos dias me encontro em completo desespero,
deitada no chão da cozinha, gelado,

de óculos escuro, sentindo o próprio pulsar.

Passa.


Diversas vezes olho para você e não vejo nada,
não quero nada e não posso te tocar.

Cegueira.


Diversas tardes chorei, chorei e chorei.

Lágrimas.


Diversas vezes busquei respostas nas histórias,
nos livros, nas palavras sábias.

Deus.


Diversas foram as vezes que eu desisti,
por poucas horas, não vi luz e quis você.

Amor.


Diversas serão as vezes que será preciso um recomeço,
aprender de novo a andar, a sentir todos os prazeres

e todas as dores que o destino guardou pra nós.

Vida.


quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Doux Poème.

Hoje sou estrangeira de mim.
Já notei que testando meus limites
consigo ir ainda mais longe,
que agora o que tem inundado 
continuamente a minha alma 
além desse estado de graça que é amar,
é essa poesia viva,
presente em cada pedaço meu
que escorre em cada poro.
Eu contorno os rabiscos,vou costurando poemas,
bordando-os em mim conforme a cor dos meus dias.
Me encaixo na calma que a alma possui,
apesar de minhas ambiguidades,
permaneço debruçada por entre as janelas da alma
inclinada a favor do vento.
Vou fitando a vida com os olhos presos no acaso,
sentindo o infinito na ponta dos pés.





quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Sensação rasgada.

Vem!
Que o teu olhar é remédio preciso e forte 
pra curar ausências,pra me fazer transcender.
O 'exposto' é o que menos incomoda,
porque a verdade dos olhos 
são os detalhes que leio.
Essa verdade sem códigos...
que me desnuda por inteiro.
Teu olhar deixa minhas trilhas expostas,
me traduz, e meu peito vira território aberto.
Sou a tua página em branco, rabisca em mim?


domingo, 14 de fevereiro de 2010

mon petit amour.







Me ama enquanto ouço a música que vem do seu sorriso?
A dor some devagar , é tudo tão rapido. 
O mundo gira e eu continuo ali, 
parada, esperando por mim mesma.
Ninguém vê, niguem sente mais nada. 
Está tudo embaçado, uma nuvem,uma ponte, 
e eu estou logo ali,na sua, na chuva, em algum lugar. 
É impossivel não se deixar levar. 
As pernas já não aguentam mais. 
O sangue flui em minhas veias, minha sensibilidade aumenta.
E você cada vez mais perto, 
e o seu sorriso permanece enquanto a musica aumenta. 
Mas eu não quero fugir amor, não, não mais. 
Tudo vai virar poesia, eu sei...
E onde está o fim? 
Talvez ali,tão perto de nós que nem se deixe perceber.
Num dia alheio como aquele em que o acaso me trouxe o 'nós',
desde então meus repentes só tendem 
a seguir o ritmo que a sua música possui,
que a sua estadia traz ,como se imitasse um espírito cansado,
na ferida que o amor acaba por fazer,de um corpo por sarar.
E nessa estrada  chamada 'Sentir' seguimos descalços assim,
acompanhando um ritmo suave,rente à passagem das horas.
Nessa dança eu me rendo,ao comprido dos seus lábios
com os olhos rasos,ao comprido da vida.


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Roda Poesia.

Creio que a poesia não tenha idade.
Ela impulsiona,nos mostra além 

do que se pode, e do que se quer ver.
Portanto, faz-se-lhe o retrato,
da poesia que surge em nós.
Esse bocado que nos falta escrever,
é o que ainda há de ser descoberto,
por nossos sentidos, por nossas letras.
E assim como o mundo gira , o poema ídem.
Ontem existiam apenas vagas noções,
hoje são mais de mil letras e sentidos.

O poema nunca finda,
pois a vida é uma enseada.
E cada palavra uma nova poesia,
que nunca tardia, volta a acontecer.