terça-feira, 8 de maio de 2012

Guardo





Gravei teu cheiro e teus olhos,
falando das feridas que a gente não cuida.
Das coisas que a gente não diz.
E você foi a-coisa-mais-especial-que-quase-me-aconteceu.
Das poucas coisas que sei.
Só.
Sei que devia ter falado contigo antes daquele Natal.
E quantas outras coisas a gente deve e não paga?
A gente quer e não faz?


Embrulhei o coração pra presente sem cartão nenhum.
Enderecei assim:  ''Pra ninguém abrir''

Joguei sujo nas escolhas.
Fiz do tempo um muro e me escondi.
Extraviei meu pensamento pra escapar do teu.
Te deixar passar.
Sem reagir.
Quis esquecer.
Sumir.


Tanto que fiz e me arrependo.
Ter me jogado nos braços,
de quem só me fez colecionar cansaços.
Tantos anos gastos,
que às vezes acho que esgotei do amor que era pra ti.
Que era pra ter sido contigo,
aquilo tudo e mais um pouco que eu vivi.
Mas entre nós não há culpados.
Porque ''nós'' talvez não há.




Me diz se é  possível continuar amando antes de sequer saber que sabia/podia/queria amar?



Só.
Acho que ainda quero.
Do lado certo.
Sem ser do avesso.
Pra ser melhor.
Pra ser de vez.

domingo, 25 de março de 2012

Da natureza encharcada de erros.




Dias cinzas,
ontem quase comprei tinta
na tentativa de nos colorir.

Cadê que eu sei pintar?
Cadê que eu sei me despedir?

O tropeço da tentativa.
O frio da distância como o abismo entre o calor dos corpos.
Congela, te rompe e esmaga todas as possibilidades de aproximação.
Todos os vícios amenizando a dor, como válvula de escape ao avesso.
Nossa saída imaginária do cativeiro que nós somos.

Pior do que a ressaca é o gosto amargo da palavra não dita,
é o pulo do gato que a gente dá por não querer tentar.
O comodismo, que gruda como limo se a gente deixar.
O nó que o erro dá nos teus sapatos, te impedindo de andar.
É a falta de crédito em si e nos outros.
Falta de pulso, mergulhada  na hipocrisia maior de julgar os erros todos.

Cadê os olhos mansos de quem me aceitava,
antes da descoberta óbvia de que tambem posso errar?
Cadê a palavra que eu guardei todo esse tempo pra aprender a usar?

Escorre aos litros a falta,
só um pingo de vontade de ser humana.
Hipócrita, racio anal, crua,  insana.

Lá fora choveu saudade, de manhã até a tarde
e eu saí de guarda chuva, só pra não ter que me molhar.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Em banho-maria.

 
 
Então vem, me canta qualquer coisa bonita, me cuida, me abriga.
Abre esses braços por detrás de mim,
me cobre inteira desse teu cheiro pra grudar no meu.
Aproveita enquanto cai a tarde e ainda não chove,
tira uma fotografia comigo na sombra dos teus olhos.
Me eterniza assim, distante e fria,
ao lado da janela daquela cozinha,
onde a gente já cansou de se cozinhar.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Dois sóis.




Precisava te escrever, não só porque hoje faz um mês de sol dentro de nós, mas também pra deixar registrado que ontem foi um dia um bocado bonito. Tu sempre vens e me adoças como podes e aos pouquinhos vais me tirando o gosto amargo impregnado no céu da boca que viver tem me deixado. Contigo qualquer coisa fica mais doce aliás, tens essa coisa que faz a gente ir aguçando as papilas gustativas sem receio, provocando aquele desejo de provar sempre um pouco de tudo. E (re)viver de repente passa a ter  gosto de sonho, ganha um sabor agridoce viciante que o ato rotineiro de sonhar contem, e espantosamente vamos nos  permitindo, com cuidado diluindo aquelas incertezas uma a uma e deixando que fique aqui em nosso meio somente aquilo que possa vigorar.  É rapaz, querendo ou não é exatamente essa pontinha de desejo e gosto pela vida que vem (re)aparecendo  quase que  imperceptivel através de algo ou alguém, e quando a gente menos espera se torna maior do que nós mesmos, maior até mesmo que os prédios que se levantam rígidos no centro da cidade. E isso tudo se intensifica ainda mais quando há aquela unificação tão significativa em que um vira complemento do outro, em que o que era dois se resume em um.  

Vê bem,  és essa parte considerável de mim que eu achei ter perdido no meio do caminho, a perda que eu me orgulho em não ter permitido acontecer, eu era tão cheia de ‘achismos’ e coisas desnecessárias, e a falta de afeto que eu achava não sentir me empurrou atras daquilo que a gente sente que vai vigorar, porque o que é pra ser vigora. Que bom que ainda te tenho ao meu alcance, que bom que me vens e me preenches e me fazes querer abrir um riso sem sombra alguma de dúvidas, livre de qualquer simulacro, esse sorriso desajeitado, arreganhar de dentes que ecoa sempre verdadeiro assim como essa imensidão de coisas tão maravilhosas que eu desejo pra ti e pra nós ao mesmo tempo naquela unificação de sermos complemento um do outro. Eu só queria te fazer lembrar mais esta vez que somos esse gosto doce, somos essa saudade que não cessa, a sede de vida com gosto de quem dorme e sonha, adiando e se salvando por alguns instantes. Somos essas duas vidas que se preenchem sem nenhum esforço, dando braçadas pra não se afogar no comodismo, duas vidas que se tocam e se recolhem no calor de uma só.

Para sempre tua,

Giovanna M.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Mur de vos yeux



Desligamos,
você de lá e eu daqui,
mas ainda assim restavam promessas de sonhos sinônimos.
Sobravam nossos cheiros tão invasivos,
tomando conta de todos os cômodos.

Nossas mãos que se procuram distantes,
na tentativa de ir guardando o que somos.
O caso é que não nos desligamos inteiramente,
somos feitos de carne, pecado louco de sombra e de luz.
Com as mesmas mãos que nos tocamos e nos recolhemos,
recebemos os toques de milhares de outros que não somos nós, e sabemos.

Somos apalpados continuamente pelo mesmo amor que eles dizem ser cego,
mas que sei que consigo ver e ser vista, todo o santo dia,
na parede clara do teu par de olhos.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Roda a vida inteira, dentro de nós.



É preciso driblar o vazio, a completa falta ou excesso de tempo. Dois extremos. Evitar esse isolamento inconsciente, mesmo que seja de mansinho.


É necessário manter os alicerces para que a casa não caia, e quando falo em 'alicerces' me refiro à base, àquilo que sustenta, e você sabe. Manter família, em qualquer estado que seja, sendo ela desestruturada ou não, porque é o amor que nos veio pronto antes mesmo de botarmos os pés nesse chão. Manter laços não sanguíneos com um ou dois gatos pingados, pra perceber que qualidade difere de quantidade de pessoas.


É necessário (re)aprender a viver apesar dos tombos, porque tão necessário quanto (re)aprender é entender que nem sempre iremos tropeçar em algo maravilhoso. Vai ver a vida seja essa coleção infindável de tropeços até que finalmente se aprenda a andar. No meio dela a gente faz de conta que quer desistir, chora, sonha acordado, fala alto com o nada naquelas vezes-de-querer-falar-com-ninguem. Mas a sede de existir é tão maior do que possamos imaginar que a gente logo volta à tona, se levanta e torna a cair como numa dança involuntária-alucinógena-incansável entre realidade e fantasia, onde todo mundo entra na roda, sem exceções.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Das ausências sentindas, sinto falta de mim.




Talvez naquele dia assim calado, o amor tivesse adormecido.
Tomou chá de sumiço e desapareceu de mim.
É que sinto meus sentidos se perderem,
e desde então sinto que não escrevo como costumava escrever,
não vivo do modo como deveria viver.

Aliás, viver tem me parecido um porre, e dos brabos,
do tipo que sai cortando toda a vertente do que se pode vir a sentir.
Os dias tem me deixado ressaquiada o bastante
pra qualquer coisa que ainda me reste fazer.
Tenho dormido no máximo três ou quatro horas por noite,
tenho sonhado bem menos do que costumava sonhar.
Acordo, ligo o automático e vou trabalhar.

Vou mas torno a voltar.
Sou.
Só.
Pedaço daquilo que fui.
Um coração sem portas ou janelas,
ninguém entra, ninguém sai.

Eu sei todo o trajeto de volta.
Talvez seja exatamente por isso que nunca volto para o mesmo lugar.

Não vê?
Sou toda submersa num  mar azul,
na espera de algo que possa me remover.
E nessa aguardo, tenho me guardado pra sabe-se-lá-o-quê.
Roda a vida inteira do lado de dentro de mim.

Me sirvo de palavras que saem quentes por entre os dedos,
apesar de Dezembro ser mês avassalador de saudade e frio.

Será que o tempo ainda me prova que tem quem diga algo que possa fazer sentido,  
sem que posteriormente eu tenha que sentir muito no fim?
Em qual parte do caminho meus olhos desaprenderam a falar a língua dos teus?
Pra onde foi toda aquela poesia? 
Pra onde foi tudo aquilo?
O que eu queria?
Dizer.



  

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Migalhas

Não, por favor entenda, a casa é antiga demais para suportar mudanças. No máximo te permito arrastar um móvel de um compartimento mais próximo, daqui até ali, com muita cautela pra que meu chão não se risque, não fique lanhado, não mais do que já está.

A essência inteira escorre, invadindo os cômodos, percorrendo os poros, passando por cima de ti, para além do nosso quintal. Mas todo esse doce talvez não te agrade, por ser assim às avessas, tão forte, te causando pancadas leves na boca do estômago. Nauseante. Nesse jogo que te atrai e te repele até não poder mais.

Daqui posso ver esse quase sorriso estampado em teu rosto, tocando tudo de mãos semi abertas com o pavor de quem só consegue ser pela metade, deixando por onde passa um rastro do que poderia ter sido e já não é. Que mundo podre e louco é esse em que não se pode nem dizer 'sinto saudade'? Em que lugar esta escrito a regra do 'Ser pela metade'? Mundo sem graça, tão confuso quanto o meu.

Te pensei inteiro durante o tempo todo em que estivemos juntos, mas agora agradeço enquanto tudo ainda é prematuro, por ter me aparecido enfim como realmente és, todo minúsculo, pela metade, como as pessoas todas, acostumado à migalhas, a comer pelas bordas com medo de se queimar, que antes mesmo de terminar empurra o prato e levanta, ''não quero mais''.

Não estou acostumada à migalhas e nem quero me acostumar.

sábado, 12 de novembro de 2011

Meu menino. Meu pedaço. Meu presente.




Carta à Diogo Murrieta,  em 11/11/2011


Não permito que seus olhos andem se escondendo, planejando fuga, saindo da rota direta por onde andam os meus. Ficam marejados, mesmo fazendo menção de que como de costume vão sorrir pra mim. Não adianta, sei lhe ler até de longe, e você sabe.

Sua cabeça gira,  a carne enfraquece e as pessoas somem como naqueles filmes que a gente prevê o fim. Eu entro em cena na sua vida como naquela parte em que a mocinha se aproxima do cara como quem nada quer, pela porta da frente, andando devagar, procurando semelhanças, pontuando diferenças.

Perceba que com o desenrolar da trama, assim de mansinho, vou fazendo aquele nosso filme todo em preto e branco colorir. Julho é mês de chuva, mês de você e de mim, do you remember?

No carnaval da vida não usamos nenhuma máscara, somos descarados e costumamos rir bem alto sem nenhum pudor em qualquer hora de um lugar qualquer. Entre nós não existem clichés. Entre nós só existe um  espaço curto separando os abraços que me fazem encostar meu coração no seu. Do lado de dentro só existe amor,  a vontade de querer me  dividir contigo misturada com aquela lei de ser feliz que inventei pra gente noite passada.























Em dias cor-de-céu-que-chora prometo fazer cair pingos de afeto.
Vamos sair sem guarda chuva pelas ruas, pra que eu possa me encharcar de você.
Pra você se resfriar de mim e nunca mais fazer sarar.













sábado, 15 de outubro de 2011

Para além da tua pele.




Os olhos querem se fechar enquanto tua boca me fala.
Pra te imaginar por inteiro do outro lado da tela, do lado de fora de si.
Teu corpo que se precipita, tua pele, teus dedos que escrevem com pressa.
Letra por letra.
Soltando a agonia de se virar do avesso pra mim.
De se despir de toda a capa que o tempo te jogou por cima.

Então fica.
Me escreve com esse mesmo cuidado de agora.
Faz de conta que sou de aço e nunca chorei por nós dois.
Sou tua.
Você é meu.
Tira todo esse peso das costas.
Se sinta em casa bem dentro de mim.
Te quero sempre, te quero inteiro.
Sem correr o risco de te amar pela metade.

Te leio apenas.
Como quem toma palavra por palavra como se fosse água.
Como quem morre de sede pelo que ainda pode ser dito.
Como quem vive e morre de amor, todos os dias antes de o sol sair.
Pra queimar você.
Pra esquentar nós dois.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Air.




E a frase “que seja eterno enquanto dure” não sai daqui de dentro.
Mesmo que pudesse ser só até o dia seguinte, preferiria que fosse intenso.
Assim do meu jeito de quem não sabe viver as coisas pela metade.
Quero te levar comigo, pra conhecer tudo o que conheci ontem.
Porque sempre quero te ter por perto, nas piores e melhores situações.
E ontem meu pensamento era só terminar aquele jantar, voltar pra casa
e tentar reverter tudo que eu fiz.
Enquanto pulava de uma cerveja pra outra 
Enquanto falava de você a eles,
observava os desenhos delicados na parede e o espelho antigo.
Era a nossa cara.

Tenho que te levar nesse lugar, enquanto dure.
E em todos os outros que planejamos.
Na praia que você disse que queria ir, num bate e volta.
Pra ver o mar do lugar mais alto que tiver por lá
Pisar na areia, ir de mãos dadas pra qualquer lugar.
Nossa casa imaginária.
Faz de conta que é na Lapa.
Vou até lá reservar um cheiro de mato.
Uma pequena Clarice para brincar no jardim.
Um cachorro grande de raça qualquer.
Pra impor respeito.
Rede na varanda.
Dias de sol.

Não se preocupe, vou encomendar os nossos sonhos.
Um entardecer com chuva fina, fria.
Brisa e arrepios de leve.
Caminhar.
Vou te levar pra gastar desse nosso sentimento.
Sem culpa. Sem preservar.
Antes, precisamos viajar.
Cuba.
Cozinhar.
Nos por em ordem.
E uma foto para cada vestido meu.
Poemas que viram situações.
Situações que viram poemas.
Desejos a desejar. Podemos tudo até agosto chegar.
Situar bem as agulhas sem me pinicar.
Linhas que viram palavras.
Que viram frases bem colocadas.
Parágrafos inteiros de zelo.
Apelos.
E eu te pedindo pra ficar.

Vem, vamos lá no nosso bar.
A gente pode tudo.
Vivendo o todo.
Se usar.
Sem se apegar.
É mentira.
Até agosto.
Ao seu gosto.
Amor voar.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Te (re)lembrar.

Ai, se voce soubesse a dor de saudade que tenho todos os dias.
Só de (re)lembrar cada modo teu já me vem todo aquele peso no baú da memória,
a partir daí sou só vontade de sair voando e te buscar onde quer que seja.

Eu reparo você toda, te monto feito quebra cabeça, peça por peça.
Como se fosse enigma te decifro e te devoro.
Te quero perto, te quero sempre, te quero bem do início ao fim.

(Re)Lembro do jeito como segurava aquele cigarro na ponta dos dedos,
dos teus olhos 'castanho-saudade' rindo pra mim naquela última vez em que nos vimos,
de todas aquelas fotografias em preto e branco que tiramos já faz tanto tempo,
e ainda assim, sempre penso que foi ontem.

O tempo é traiçoeiro,
me engana sempre e me faz não ter mais tempo
do tempo que antes tinha pra te ter por perto.

Venha hoje a tarde, faça toda essa dor sumir.
Me olha de volta,
me conta uma história sua,
vamos sair na chuva
como naquele dia.
Vamos inventar qualquer coisa nova.
Falar do que nos faz felizes ou do que ainda dói.
Qualquer coisa nossa
pra depois lembrar.
Sentir.


Ai, que eu já não posso com tanto amor.
Que já não me aguento nos intervalos apressados entre um dia e outro.

Como posso andar reto com esse peso todo de saudade?
Essa saudade morta no instante em que te vejo,
é a mesma que renasce todas as vezes que voce me beija,
um beijo só seu, assim de você pra mim, sabor despedida, acende um ultimo cigarro
depois me olha com uns olhos de quem só quer ficar e repete baixo
sem querer que eu ouça, bem de mansinho a palavra tchau.



































Por favor tempo, traz você de volta.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Super reciclando o amor.



 Agora é assim que funciona.
Vamos nos amar, nos conhecer outra vez
como se fosse a primeira.
Nos contorcer, trepar loucamente,
fazer o melhor papai/mamãe do planeta!
Vamos planejar ter filhos, uma casa espaçosa com jardim,
alguns livros incríveis na estante e plantas vivas espalhadas pelos cantos.
Tudo isso em menos de tres anos.
Está de acordo?
Casa comigo que eu te faço o ser mais amado desse mundo.
Mais bem cuidado, protegido e bem alimentado.
Com direito a almoços e jantares. E vinho tinto!
Porque meu bem, faz bem ao coração.

Então vem, casa comigo
e fica aqui em casa por tempo indeterminado.
Te faço café enquanto você invade minha cama,
meu espaço e deixa pedaços seus bem
espalhados por todo canto.
Sua camisa predileta no meu cesto de roupa suja.
Confort.
Espalha tudo, é tudo seu.
O que é meu é teu e eu, bem...
Tenho sido sua todos os dias de todos os anos, invariavelmente.
Aproveita
Relaxa, goza e espalha!
Esparrama...

Assim, se caso um dia for embora
não será capaz de se recolher por completo.
Deixando à mim lembrancinhas suas
que de início me causavam desconforto,
mas que desde aquele dia no meio da rua,
na chuva, tem sido uma constante.
Desde então joguei todo o desconforto no lixo da cozinha.
Sem rancor algum.

Mas vem cá. Casa comigo. Nada de medo.
Não faça como a maioria, não fuja de envolvimento.
Quero todas as nossas fotos espalhadas pela casa,
vou me livrar daqueles lençóis
com nossas marcas e mágoas maiores que nós.
Nada que não se supere, nada que não possa ser reaproveitado.
Porque três anos não são três meses. Você sabe.

Somos adultos agora, os planos são outros meu bem.
Maiores e melhores.
Então vem.
Me ama.
Me aborrece.
Se encosta em mim.
Eu as vezes reclamo, mas no fundo gosto.
Te disse.
No ouvido.
Noites atrás.

Quero me dividir contigo,
e quero isso pra ontem.
O quanto antes. Já.
Vamos nos encher de amor, feito bexiga de gás.
Planejar.
Traçar tudo com papel e caneta.
Fazer tudo como tem que ser.


Temo saudade.
Tenho.
Somos tão bem resolvidos agora que tenho estranhado.
Mas não reclamo mais, apenas comento.
Desde o início avisei que não queria, te querendo.
Lembra?
E parece que foi ontem.

Voltamos tão cheios de experiência e maduros.
Tão duros que tenho medo de que possa vir a perder a doçura.
Eu e meus medos.
Loucura.
Esqueça minhas neuras.
Só se ligue no bom de nós dois.

Emendando um amor no outro.
Vamos Super reciclar o amor
Sem mágoas passadas.
Nos passamos a limpo.

Vem agora, casa comigo.
Insisto.
Te chamo.
Garanto.
Vem!





quinta-feira, 18 de agosto de 2011

A gosto.




Estive lembrando daqueles dias de agosto mais uma vez. Dias que assim como eu andavam quase parando. Sim, no intervalo daqueles dias havia um ''quase'', porque apesar dos pesares nada era em absoluto estático e eu ainda tinha vontade de continuar.

Embora tenha sido um mês passado como todos os outros, percebo que ainda fico atravessando agosto por agosto como quem atravessa na ponta dos pés um meio fio entre dois prédios absurdamente altos. Cerrando os olhos. Respirando fundo. Tentando manter o equilibrio entre uma coisa e outra.

Lembro que o ar daqueles dias era denso e teu silêncio tambem. Fora o ar e por vezes a própria falta dele, lembro que escrever naquele tempo já não era um hábito e sim uma necessidade, assim como comer e dormir. Sim, eu sei, acho que atravessando aquele agosto endureci um pouco.

Sei que posso ter endurecido porque ouvi algumas pessoas comentando algo bem baixo atras daquela porta. Era sobre mim. Sobre quando uma pessoa qualquer como eu, você ou aquele outro se permite endurecer e nem sempre o resto em volta tem de ser obrigado a permanecer ali até que tudo acabe. Era algo sobre dar espaço, ter mais paciência, viver, se doar, se doer.Como se a minha existência fosse uma denúncia na boca dos outros.

Falar sobre o próprio vazio sem ter dosagem é como ver a plateia de um talk show desinteressantissimo exalar tédio e babar de tanto dormir. Por isso escrever alivia bem mais, o papel não é feito de carne. Nós somos.
 
Lembro das vezes em que resolvia sair daquela casa. Tinha a impressão de que as pessoas - não todas, mas algumas delas - brilhantavam vontades, reluziam vida. Deboxadas. Enquanto por detras daquela porta no espelho que cobria a parede, eu ficava em pé por horas buscando uma faísca qualquer de continuidade, por menor que fosse. As vezes eu chegava a ver, outras não. Eu era opaca . Quase verde musgo. Sem brilho.

Eram dias sujos, eu sei.