quarta-feira, 5 de maio de 2010

Bilhetes e garranchos.









Benzinho, o tempo é uma corda que se enrola no pescoço 
e vai apertando de mansinho ano após ano, 
até que em um segundo indefinido 
ela te despenca da cadeira da sobriedade, 
onde sempre estamos, em uma duvida, 
um vai e vem frenético, 
sem ao menos saber que estamos lá.
O tempo é a doçura inerte dos nossos passos de valsa, 
calando as bocas sujas, e beijando-as 
logo após um acerto de contas... 
Na cama todos somos juízes de nós mesmos, 
julgando cores sensações, 
abraços, gotas, suor, conversas, intuições.
Somos podres por natureza, 
pontos fracos de nós mesmos, 
somos luz em meio ao nosso breu-cotidiano, 
diante de toda lucidez, 
o álcool move toda a filosofia e em meio a ela, 
ele se embebeda de idéias causando espasmos, 
causando frenesi, latência, loucura...
Benzinho, eu acordei suado, 
com idéias pairando perto do ventilador, 
como aviões de papel que sugerem planos de dominar o mundo, 
por mais estranho que pareça, eu os aceito. 
Te tenho em mente boa parte do tempo, 
e o tempo que me resta escrevo 
sobre o tempo que estive em ti.
Hoje eu acordei sem sono, como se tudo tivesse ido embora, 
um bilhete, um garrancho, uma poesia, 
um sonho de viver em meio ao caos. 
Me engano como um físico embriagado, 
nos seus cálculos sonolentos. 
Ele calcula o amor, em centímetros de mercúrio, 
enquanto o amor na sua medida infinita 
tem o dom de não ter medidas. 
Vou embora, deixo o conteúdo do bilhete 
para sua doce imaginação calcular, 
o garrancho, você acabara de ler.
Garrancho de um blues, de um som.
Se é que é possível mudar toda a sinestesia, 
som em cores, em sabores que ardem no olho, 
que te tocam com um cheiro próprio o sexto sentido, 
em um frio que nobremente saboroso... Arrepia.



* Texto de um amigo muito querido , 
não hesitei em colocar aqui .Sem egoísmo.
Afinal coisa boa tem mais do que a obrigação de ser compartilhada . 
Mérito do Estevam Pontes .

terça-feira, 27 de abril de 2010

Sonho.




Te contei?
Que sonhei com você.
Que te encontrava na rua.
Assim, do nada, no meio de todos.
E parava.
E olhava.
E sorria.
Retribuía aos olhos teus.
Enquanto os outros me diziam que era um absurdo.
Que jamais deveria eu conversar de novo contigo.
Nem dar-lhe ouvidos.
Que deverias pagar por todo mal que nos fez passar.
Te contei?
Que foi um pesadelo.
Desses que depois a gente se pergunta
será que foi verdade?
Pegava-te pelo braço, como fazia de habito.
Te encarava sem medo.
E perguntava algo sobre sua felicidade.
Você me respondia com um gesto sincero.
Eu disfarçava.
A gente se abraçava.
Assim, como se não houvesse mais rancor entre nós.
Como se não houvesse mais espaço
para este tipo de sentimento.
Ou tivéssemos nos curado.
Com o tempo.
E que naquele momento
só desejássemos coisas boas um ao outro.
Te contei?
Que no meu sonho você me parecia
melhor do que realmente é.

sábado, 17 de abril de 2010

Abala-me



 Você
O Haiti.
Os políticos.
As histórias que vejo na Tv.
A chuva castigando a cidade.
A falta de compreensão entre nós.
Falta de afeto.
Meu tanto faz.
Nosso faz de conta.
As contas.
1/3
Folha de São Paulo.
Sapatos que machucam meus pés.
Fome.
A reforma .
Os filmes.
As pessoas que moram na nossa rua.
Saudade da minha família.
As vantagens de estar onde estou.
O peso.
Minha escrivaninha.
O vinho tinto.
A droga da gaveta.
O tempo e a falta que ele me provoca.
O amor.
Diálogos entre pais e filhos.
Um domingo qualquer no parque.
Silêncio.
As garrafas pet boiando no rio.
Planos.
Impaciência
As cobranças de todos.
As poucas horas de sono.
Sexo.
Música nova.
Pernilongo.
Arte.
Imagem.
Trânsito.
O sol fazendo-me sardas.
Desfarces.
Quando me calo.
Quando não fala.
Preguiça de viver o que é previsível.
Nenhuma vontade.
1001 oportunidades.
Seu mundo.
O teatro das boas maneiras.
Facilidades.
As eternas conversas comigo mesma.
Descontos para os outros.
Curiosidade.
Livros intactos na estante.
Os excessos.
Sofro com eles.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Disposição ao engano.




Para caminhar ao seu lado foi preciso aprender outro ritmo.
Suas pernas muito maiores,ensinaram a correr.
Dificil,apesar do alegre compasso.
Mais alto,mais largo.
Prazeroso amor,quase delinquencia.Aconteceu assim,sem querer.
Num domingo,descendo a rua.
Que idéia foi aquela que funcionou?
Era outono,e o vento no rosto enxugou as lágrimas.
Abriram seus olhos.Libertos.
Para acompanhá-lo.

Desde então,teve que fazer os olhos,
preguiçosos que eram,percorrerem mapas de geografia
Matéria ignorada por ela desde o início de vida escolar.
Olhos estes jamais navegados pelos caminhos por onde andou
Não se assustou,nem deslumbrou, 
e por vezes,reunidos,achou chato.
Um porre.Um saco.
Mas calou.

Seus olhos sempre estiveram por demais ocupados com detalhes.
Desde os oito,os olhos dela eram viciados em estantes alheias.
Adoravam as da pequena biblioteca do colégio em que estudava.
Percorria-as através de suas cores,
até o lugar mais alto que podia enxergar.
De óculos escolhia,apontando para o alto.
Pequena e dona de grandes dores de cabeça,
recomendaram-lhe óculos para descanso.Puro engano.
Jamais descansou com eles.
Esta parceria não levava à regalias.

Literatura ou filosofia.
Na era dos óculos, ela se desafiava o tempo inteiro.Virou hábito.
Começava escolhendo sempre o livro mais difícil de alcançar.
De ler,folhear.Sem preguiça.
Esqueceu dos clássicos.Ignorou ''Polyana'',
mas ''O Bichinho da maçã'' lhe fora inesquecível.
Por isso não houve à eles,os óculos,falta de lazer.
Nem à ela.Nem aos óculos.Nem viagens.
Muito menos histórias para contar.
Mas como explicar estas diferenças de olhar entre eles?

Ela e ele.Ou o que fazer com elas,as diferenças?
Somar?Multiplicar?Sonhar?
Seriam possíveis,eles,tão diferentes no modo de ver
chegarem à um acordo?

A impressão que fica,é que ela sempre esteve aqui.
Sem sair do lugar,aguardando ele chegar.
Para contar-lhe com detalhes o mundo do lado de lá.
Enquanto mantem sem disfarces 
os olhos fixos na estante mais próxima.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Vide o Verso!

Somos do avesso.
E mesmo assim te faço um verso contrário.
Para dizer-te que lhe amo dos pés à cabeça,
do nosso fim ao começo.
Inverto.
Invento.
Um universo nosso.
Em que todos os certos estão do lado errado.
E nós, os avessos é que estamos certos.




terça-feira, 2 de março de 2010

Reação em Cadeia.

Diversas vezes tenho vontade de jogar do alto do prédio,
do quinto andar, tudo aquilo que nos restou.

Nada.


Diversas vezes tenho vontade de falar às pessoas

tudo o que eu penso delas,
de dizer na cara as verdades enxergadas, as mentiras lavadas.

Palavras.


Diversas noites tenho vontade de vomitar o jantar,

de gritar, de chorar, de abraçar alguém bem forte,

de colo, de útero, de mãe.
Desabafos.


Diversas vezes tenho nojo do Pronto- Socorro,

quero me lavar, me despir dos problemas,

me anular por algumas horas.

Fuga.


Diversos dias me encontro em completo desespero,
deitada no chão da cozinha, gelado,

de óculos escuro, sentindo o próprio pulsar.

Passa.


Diversas vezes olho para você e não vejo nada,
não quero nada e não posso te tocar.

Cegueira.


Diversas tardes chorei, chorei e chorei.

Lágrimas.


Diversas vezes busquei respostas nas histórias,
nos livros, nas palavras sábias.

Deus.


Diversas foram as vezes que eu desisti,
por poucas horas, não vi luz e quis você.

Amor.


Diversas serão as vezes que será preciso um recomeço,
aprender de novo a andar, a sentir todos os prazeres

e todas as dores que o destino guardou pra nós.

Vida.


quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Doux Poème.

Hoje sou estrangeira de mim.
Já notei que testando meus limites
consigo ir ainda mais longe,
que agora o que tem inundado 
continuamente a minha alma 
além desse estado de graça que é amar,
é essa poesia viva,
presente em cada pedaço meu
que escorre em cada poro.
Eu contorno os rabiscos,vou costurando poemas,
bordando-os em mim conforme a cor dos meus dias.
Me encaixo na calma que a alma possui,
apesar de minhas ambiguidades,
permaneço debruçada por entre as janelas da alma
inclinada a favor do vento.
Vou fitando a vida com os olhos presos no acaso,
sentindo o infinito na ponta dos pés.





quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Sensação rasgada.

Vem!
Que o teu olhar é remédio preciso e forte 
pra curar ausências,pra me fazer transcender.
O 'exposto' é o que menos incomoda,
porque a verdade dos olhos 
são os detalhes que leio.
Essa verdade sem códigos...
que me desnuda por inteiro.
Teu olhar deixa minhas trilhas expostas,
me traduz, e meu peito vira território aberto.
Sou a tua página em branco, rabisca em mim?


domingo, 14 de fevereiro de 2010

mon petit amour.







Me ama enquanto ouço a música que vem do seu sorriso?
A dor some devagar , é tudo tão rapido. 
O mundo gira e eu continuo ali, 
parada, esperando por mim mesma.
Ninguém vê, niguem sente mais nada. 
Está tudo embaçado, uma nuvem,uma ponte, 
e eu estou logo ali,na sua, na chuva, em algum lugar. 
É impossivel não se deixar levar. 
As pernas já não aguentam mais. 
O sangue flui em minhas veias, minha sensibilidade aumenta.
E você cada vez mais perto, 
e o seu sorriso permanece enquanto a musica aumenta. 
Mas eu não quero fugir amor, não, não mais. 
Tudo vai virar poesia, eu sei...
E onde está o fim? 
Talvez ali,tão perto de nós que nem se deixe perceber.
Num dia alheio como aquele em que o acaso me trouxe o 'nós',
desde então meus repentes só tendem 
a seguir o ritmo que a sua música possui,
que a sua estadia traz ,como se imitasse um espírito cansado,
na ferida que o amor acaba por fazer,de um corpo por sarar.
E nessa estrada  chamada 'Sentir' seguimos descalços assim,
acompanhando um ritmo suave,rente à passagem das horas.
Nessa dança eu me rendo,ao comprido dos seus lábios
com os olhos rasos,ao comprido da vida.


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Roda Poesia.

Creio que a poesia não tenha idade.
Ela impulsiona,nos mostra além 

do que se pode, e do que se quer ver.
Portanto, faz-se-lhe o retrato,
da poesia que surge em nós.
Esse bocado que nos falta escrever,
é o que ainda há de ser descoberto,
por nossos sentidos, por nossas letras.
E assim como o mundo gira , o poema ídem.
Ontem existiam apenas vagas noções,
hoje são mais de mil letras e sentidos.

O poema nunca finda,
pois a vida é uma enseada.
E cada palavra uma nova poesia,
que nunca tardia, volta a acontecer.




segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

J'ai trouvé

Sei que demorei e me ausentei por muito tempo, 
um tempo longe de você.
Eu estava longe do seu carinho e do seu amor,
em um lugar paralelo, 
onde eu sonhava todas as noites em te encontrar, 
em te beijar e em sentir você. 
Agora que eu estou aqui, vivendo esse sonho, 
tendo a vida que queria, 
a vida que queria com você, sentindo teu corpo, 
o calor do teu abraço, o gosto do teu beijo. 
Então é no 'agora' que eu paro e penso, 
queria alguma coisa que simplificasse o que sinto,
que simplifique o amor que sinto.
Procuro em livros, jornais, 
poesias, frases, poemas, estrofes, 
filmes, musicas mas não encontro.
Então procuro nos céus,nas estrelas, na lua, 
no sol,na minha ou na sua vida e ainda não acho. 
Procuro em mim, na minha mente, no meu coração, 
e descubro que o que sinto por você não é amor, 
é muito mais que amor, muito mais que palavras 
já decoradas por muitos,repetidas e esquecidas no tempo, 
muito mais que ter todo o amor do mundo 
reunido em uma caixinha, 
muito mais que o universo inteiro.
Porque meu amor, meu ‘pequeno’ amor,
não tem tamanho,nao tem medidas,
pois aumenta a cada segundo que estou com você.
A cada toque na tua pele, a cada vez que sinto teu cheiro, 
a cada vez que sinto o teu amor refletindo o meu amor. 
Agora enquanto você ta lendo isso, 
eu to ali,deitadinha na poltrona, 
olhando pra você de olhos 'fechados' e imaginando, 
cada pensamento seu ,analisando cada pedaço seu 
Você me da vida, me dá calor. 
Você é meu calor, voce è meu tudo, é meu amor.


domingo, 24 de janeiro de 2010

Borrões de amor

Hoje despertei mal dormida, amor.
E me deu uma vontade louca de escrever,
de viver o amor enquanto ele ainda vive.
Deu vontade louca de ir 'praí' te ver,
de tirar toda a capa,de cortar toda a língua alheia
que maldiz o que a gente tem.
Pra ser mais exata eu digo sim pra tudo o que vier,
contanto que eu tenha a tua mão na minha
no antes, durante e depois do 'tudo'.
Não é exagero e nem mentira quando
eu fecho os olhos e consigo te ver.
Não, eu não minto quando falo das
vontades constantes que tenho de ti.
Palavriando talvez,eu não saiba dizer,
porque muitas vezes prefiro o nosso silêncio.
Porque muito me agrada olhar calada seus olhos rasos.
Uma caneta e um papel e te faço um borrão.
Um borrão de amor ás seis da manhã,pra aliviar a saudade.
Porque eu ando num mundo paralelo desde que te vi.
Você põe, eu como.Você fala, eu escuto
Eu rezo só pela nossa cartilha amor.
Porque eu encontrei o que eu sempre procurava,
e em nós eu posso me firmar.
Não, eu não sei blefar contigo,
só sei que amor desse modo eu nunca tinha visto.
E por mais que as palavras se rasguem,
as frases fiquem soltas,
de alguma forma todas as coisas que nos envolvem ou
que foram trocadas por nós continuarão a soar,
como um sino desvairado.
Palavras,papéis,sons,tudo isto se perde mon petit.
O que interessa é ter sentido.
O que importa mesmo é o arrepio,
é aquele 'sonzinho' que o nosso silêncio tem,
é o encaixe da tua alma na minha.
O resto, aquilo que for palpável, deixa passar.


terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Estar confusa não significa
apenas  perder o tino das coisas
No nosso caso, tende a deixá-las mais imperceptíveis
por mais nítidas que elas possam estar no meio disso tudo.
Me guia?
Não me deixe mais sem suas mãos
Nunca deixe o nosso 'nós' se perder,
mesmo que ele ás vezes pareça
uma miscelânea de decepções.


terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Tou Jours

Eu sei que as aparências podem enganar, 
mas eu vi uma luz sobre você enquanto você caminhava, 
eu não digo nem metade das coisas que eu queria dizer. 
De todas essas pessoas 
se atirando em você, que esperam por você 
eu serei a única que estará lá, 
esperando mesmo quando estiver frio, chuva, 
ou se o mundo estiver prestes a acabar. 
Você está me fazendo acreditar 
que eu não tenho que estar sozinha sempre, 
tenho que estar com você, 
porque eu não posso evitar se você parece um anjo. 
Não posso evitar se eu quero te abraçar na chuva, 
então venha sentir essa mágica 
que eu sinto desde que te conheci. 
Não posso evitar se não há mais ninguém,
eu não posso me segurar. 
Mas eu nunca vi ninguém brilhar da forma que você brilha. 
A forma como você caminha, a forma como você fala, 
a forma que você diz que meu nome é lindo, maravilhoso, nunca mude por favor.